quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A pretexto da castanha



Para a minha amiga Drikas que fala em abandonar o seu blogue, porque não tem mais nada a dizer sobre a infertilidade e tratamentos que ficam em stand-by...Aqui vai um post sobre castanhas :)

Querida, no nosso cantinho pudemos escrever sobre o que quiseremos. A infertilidade faz parte da nossa condição, não o podemos negar, mas não pudemos viver em função dela. Ela é apenas uma pedrinha no nosso sapato...Que tentamos sacudir...e que algum dia vai acabar por sair :)

Mas voltando às castanhas...Este fim-de-semana, eu e o maridão andámos de "rabo alçado" a pontapear "ouriços" e a apanhar a delíciosas castanhas que haveremos de assar para os nossos amigos. Eu sou um misto de "ratinha da cidade, com ratinha do campo", mas o meu mais que tudo é um genuino "ratinho da cidade", pelo que a ida ao campo foi uma experiência totalmente nova. Felizmente, ele adaptou-se e acabámos por passar um fim-de-semana diferente e muito saboroso.

Obviamente, que mesmo no meio das castanhas, apareceram umas vozinhas a perguntar pelos nossos descendentes "Sei que é um assunto vosso, mas se querem ser pais não deixem para mais tarde". O meu "ratinho da cidade" engoliu em seco...já eu respondi que "estavamos a tratar disso", e a conversa terminou por ai.

Dia 04 de Dezembro vamos à nossa consulta pós-negativo. É um bocado ridiculo dizê-lo, na medida em que já passaram 5 meses sobre a ICSI. Mas só agora é que ganhámos coragem para lá voltar...Portanto...vamos ver...

Entretanto...comemos castanhas e fazemos amor...não necessariamente por esta ordem ;)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O amor é um lugar estranho


Já há alguns dias que não vinha ao meu blogue...
Já há alguns dias que passava pelo fórum da APF a correr...e sem deixar comentários...
Passei por um período bastante estranho. Sentia-me completamente deprimida. Sem vontade para nada...Sentia que o maridão andava afastado...Mas na verdade era eu que estava a contribuir para esse afastamento...
Por vezes, sem notarmos, somos nós que minamos o amor. Que lhes pomos entraves. Um mal-entendido a matutar na minha cabeça...outro na dele...E o coração a ficar cada vez mais triste...Foi preciso uma discussão...E depois uma conversa...O amor estava lá, à mesma à nossa espera. Ansioso para que abrissemos os braços e o voltassemos a receber entre nós.
Foi o que fizemos...é o que temos feito...
O beijo que lhe dei hoje voltou a ter o mesmo sabor de quando o beijei há 6 anos atrás.
O Mr. Red voltou a bater à porta. Atrasou-se uns dias...encheu-nos de esperança. E a queda foi grande...enorme...Estava difícil levantar-me...Não me apetecia nada...nem ninguem. Não queria saber de fertilidades, nem de infertilidades...Só queria desaparecer...
Uma vez mais, foi o maridão que ajudou a traçar o nosso rumo: marcar consulta para Dezembro...continuar nas "agulhas" (das quais eu já dizia que ia desistir) e agora a vitamina E 1000...
Entretanto, a adopção voltou a espreitar em cima do nosso ombro...como que a dizer...há um bebé já ai à vossa espera...há uma criança prontinha para vos abraçar...Ainda não conseguimos amadurece-la o suficiente...mas já está a passar dos nossos pensamentos para o nosso coração...
É preciso é haver amor...E nós temos amor...portanto o filho vai chegar...
O amor é um lugar estranho, mas onde eu adoro viver.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Partilhar o sonho...com a minha mãe



Este domingo, como muitos outros domingos, passei-o na companhia da minha mãe. No meio de uma conversa banal sobre os bebés das minhas amigas, a minha mãe saiu-se com a pergunta que eu já há muito esperava e que ela já há muito queria fazer: - "Então e vocês, não querem ter filhos?".

A minha mãe sempre foi uma pessoa muito discreta e não é de se meter na minha vida e do meu amor. Nem de fazer o tipo fazer aquelas perguntas e comentários que nos deixam sem jeito. De tal forma que perante uma pergunta tão objectiva só pude responder que "Sim". E ela "esta é uma boa altura". "É, mas as coisas nem sempre podem ser planeadas...Se fosse por nossa exclusiva vontade já cá estava", respondi eu.

E a conversa ficou-se por aqui. Como já perceberam, não partilhei a minha infertilidade com a família, nem com amigos (à excepção de uma amiga). Mas precisei de desabafá-la com quem sabe o que sinto, com quem passa ou já passou pelo mesmo. Daí a minha presença no Fórum da APF e na criação deste cantinho.

Para mim, é um alívio ter conseguido partilhar com a minha mãe parte da história...ainda que de uma forma muito abstrata...Ela percebeu que desejamos muito a maternidade, mas que ainda não aconteceu.

Não sei se lhe irei contar toda a história...não sei se antes ou depois de alcançar o meu bebé...não sei...

Somos um casal infértil. No nosso grupo de amigos e familiares não conhecemos ninguem que esteja a passar pelo mesmo. O que não quer dizer que não existam, mas que não consigam partilha-lo, como acontece conosco...

Amanhã a APF vai fazer uma "manifestação" em frente à AR. Louvo a iniciativa. Mas não sou capaz de dar a cara. Ainda não sou capaz. Não me sinto mal por isso. A infertilidade, como qualquer doença, é algo que não queremos. Ninguem tem prazer ou gosto em dizer que sofre disto ou daquilo...Mas quando amadurecemos a ideia, conseguimos encara-la de frente e até pensar: o meu testemunho, a partilha da minha experiência pode fazer bem a alguém...E isso ajuda-nos a andar para a frente.

Um dia vou sair de trás do teclado...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O meu exercício...a caminhada


Esta semana não começou da melhor maneira...As hormonas aos saltos, o Outono à porta e uma discussão com o meu mais que tudo retiraram-me um pouco das forças...Ao ponto de ter pensado em desmarcar a nossa 4ª sessão de "agulhas".
Mas felizmente fomos...e felizmente voltámos mais relaxados. Sei que ainda não alcançámos a sintonia ideal. Nem enquanto casal, nem enquanto individuos...É difícil abstrairmo-nos da "lufa-lufa" do dia-a-dia e centrarmo-nos em nós...Às vezes só o fazemos quando sentimos uma dor tão forte no peito, que nem conseguimos respirar...Infelizmente sei o que isso é...Mas agora fujo dessa sensação a sete pés... a setenta pés :)
Voltando à consulta..."Falta-lhe energia", diz o Dr., "mas quanto ao resto...tudo bem..."
- "E o que fazer? Exercício físico?" - perguntei eu (mas a desejar que não fosse essa a resposta - tal é a preguiça crónica)
- "Não, para si, basta caminhar", responde o Dr.
Ora ai está o melhor exercício que ele me podia dar. Adoro andar a pé! E não é só quando ando a ver montras :) Gosto mesmo, sinto-me revitalizada, respiro melhor, ganho mais força e principalmente...esqueço...
Portanto a minha caminhada tem duas leituras...a caminhada física e a caminhada espiritual...Estou cansada do mesmo turbilhão de pensamentos...
Quando calço os ténis e caminho centro-me apenas no que estou a fazer...a caminhar...a caminhar...
Tenho que voltar "à estrada"

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Preparar a vinda...da cegonha



Aqui vai o resumo da nossa sessão de ontem de MTC:

O Dr. avaliou os meus meridianos e ficou alegremente espantado. Apenas com 3 sessões consegui melhorar todos os meus parâmetros. A pequena infecção que tinha no endométrio passou, rins excelentes, fígado melhor. Apenas o sistema imunitário precisa de mais uma ajudinha...mas nada de especial. Como devem imaginar, fiquei nos pícaros da alegria. Mas de facto eu já me sentia bem mais leve e descontraida. Agora aprendi a conhecer melhor o meu corpo. Ver os sinais de que estou a ficar mais em baixo, com mais stress e mais tensão e consigo "dar-lhes" a volta....Às vezes basta respirarmos fundo.

Fiquei espantadissima, porque ontem ele disse que faltava pouco tempo...Daqui a 2 meses estaria grávida...E eu: "ah, como???". E ele: "Sim, porque você já não tem nada que impeça a gravidez e o seu marido também não. Sendo assim toca a pensar em nomes, que tipo de parto quer ter, onde quer educar o filho..."

Estão a imaginar a minha cara. Acho que fiquei de boca aberta (e ainda estou um bocado). Será que vamos conseguir engravidar tão facilmente...Eu estava preparada para começar os "treinos". Será que vai ser "tiro e queda"...Fiquei mesmo feliz e isso dá-me mais força para andar com a vida para a frente. Com optimismo e fé no futuro.

Agora a questão da preparação...Bem...devo dizer-vos que só falámos em nomes durante a ICSI e depois do negativo não abordámos mais essa questão...nem qualquer outra relacionada com o parto ou mesmo como planeamos o futuro do nosso baby. Vou lendo aqui e ali, as várias opções de parto e algumas coisas relacionadas com a maternidade...Mas penso...não será melhor esperar por engravidar antes? E o maridão pensa a mesma coisa...Mas o médico acha que não...Devemos ir formando as nossas ideias claras desde já..."O tempo de gravidez vai passando num ápice"...

Não sei o que faça...por um lado há a tentação de acreditar que o nosso bebé estará entre nós em breve...mas por outro...se planeamos e nada acontece vai ser o desespero...ou não???